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sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Jornada 4 » FCPorto 2-0 Paços de Ferreira

Sem Lucho comandou Meireles

JORGE MAIA

Antes das considerações tácticas, as matemáticas. O FC Porto ganhou ao Paços de Ferreira, somou três pontos e aproximou-se, ainda que provisoriamente, da liderança, aguardando agora pelo desfecho do dérbi de hoje entre o Sporting e o Benfica para saber exactamente quanto vale a vitória de ontem, em relação aos dois rivais da capital. É um facto que o conseguiu sem grande brilho, mas, no contexto, o resultado era mais importante do que a exibição e o jogo limitou-se a reflectir essa ordem de prioridades, revelando um FC Porto pragmático perante os problemas colocados por um Paços de Ferreira de contenção. Mais do que isso, o jogo de ontem revelou um FC Porto capaz de sobreviver à ausência de Lucho González. E aqui entram as considerações tácticas.

Jesualdo Ferreira tinha prometido mexer com a equipa e fê-lo de forma mais ou menos previsível. Fucile deu a vez a Lino no lado esquerdo da defesa, Farías entrou para a vaga de Mariano, embora ocupando a posição de ponta-de-lança, forçando o desvio de Lisandro para o lado direito. Quanto a Lucho, foi substituído por Tomás Costa no meio-campo, mas acabou por ser Raul Meireles a assumir a batuta que costuma ficar nas mãos do argentino. Foi o médio português a organizar o ataque do FC Porto. Foi ele o responsável pelos passes de rotura que desequilibraram a defesa pacense de um lado e do outro. E também foi ele que surgiu, como Lucho costuma fazer, à entrada da área, à procura dos cruzamentos dos companheiros. Foi precisamente assim que marcou o primeiro golo, em zona frontal, a responder a um cruzamento atrasado de Lisandro López. Tomás Costa, em contrapartida, fez de Raul Meireles, preocupando-se muito mais com a recuperação de jogo a meio-campo do que com o seu destino mais adiante no terreno. E mais adiante no terreno voltaram a surgir problemas. Farías foi uma ausência, justificando a tendência de Lisandro para se deslocar para o miolo, enquanto o voluntarismo de Rodríguez esbarrava de frente contra Ricardo, a maior parte das vezes, ou contra o resto da defesa, nas outras. Um ataque disfuncional que Jesualdo Ferreira resolveu trocando Lisandro e Farías por Candeias e Hulk, enquanto recuava Tomás Costa para lateral-direito e fazia entrar Guarin para o meio-campo. O FC Porto cresceu. Não muito, mas o suficiente para chegar finalmente ao segundo golo e à desejada tranquilidade. Sem Lucho, sem ostentação, mas com segurança.

FC Porto 2-0 Paços de Ferreira

Estádio do dragão

relvado excelente

31.816 espectadores

Árbitro Hugo Miguel (AF Lisboa)

Assistentes Hernâni Fernandes e Ricardo Santos

4º árbitro Augusto Costa

Treinador Jesualdo Ferreira

1 Helton GR 5

21 Sapunaru LD a 56' 5

14 Rolando DC 6

2 Bruno Alves DC 6

15 Lino LE 6

25 Fernando MD 6

20 Tomás Costa MO 6

16 Raul Meireles MO 8

9 Lisandro AD a 70' 5

19 Farías AV a 56' 4

10 Rodriguez AE 6

33 Nuno GR

3 Pedro Emanuel DC

5 Benitez LE

6 Guarín MO d 56' 5

11 Mariano AD

12 Hulk AV d 70' 6

23 Candeias AD d 56' 6

Golos

[1-0] 14' Raul Meireles

[2-0] 73' Hulk

amarelos 49' Raul Meireles

vermelhos Nada a assinalar

Treinador Paulo Sérgio

1 Cássio GR 5

19 Ricardo LD 4

5 Ozéia DC 4

55 Tiago Valente DC 5

15 Josa LE 3

6 Paulo Sousa MD a 74' 6

96 Filipe Anunciação MD 4

8 Pedrinha MD a 74' 5

20 Filipe Gonçalves AD a 45' 4

11 Leandro Tatu AV 3

10 Cristiano AE 5

84 Coelho GR

2 China LD

3 Chico Silva LE d 74' 3

77 Dedé MD

18 Rui Miguel MO d 45' 5

7 Edson AD

9 William AV d 74' 2

amarelos 33' Tiago Valente; 80' Josa; 86' Ozéias

vermelhos Nada a assinalar

Lances-chave

FC Porto

1' Boa iniciativa logo a começar de Rodríguez, pela esquerda, a lançar Lino que cruza para ganhar o primeiro canto da partida.

7' Lisandro ganha ressalto em zona frontal e dispara. Cássio defende para os pés de Farías que não consegue melhor que fazer a recarga contra o corpo do guarda-redes pacense.

7' Remate de Tomás Costa de ressaca, à figura de Cássio.

14' 1-0. Lisandro ganha a bola na luta directa com Tatu no lado direito do ataque do FC Porto e cruza tenso, recuado, para a entrada da área onde surge Raul Meireles a rematar, sem hipóteses de defesa para Cássio.

20' Rodríguez recupera a bola ao meio-campo do Paços, arranca em velocidade e dispara, directamente para fora.

27' Mais uma recuperação no meio-campo, desta feita de Raul Meireles que encontra Lisandro sozinho na área. O argentino prepara o remate e dispara. Muito por cima.

30' Visão de Raul Meireles, a lançar Lino na esquerda. O lateral cruza à procura de Farías, mas a defesa do Paços antecipa-se.

38' Lisandro serve Farías que remata frouxo, permitindo a defesa de Cássio.

58' Centro de Candeias dirigido a Lisandro resulta em canto.

71' Lance de entendimento entre Candeias e Guarin à entrada da área do Paços de Ferreira com o segundo a rematar forte, cruzado, mas directamente para fora.

P. Ferreira

26' Primeiro ataque digno do nome por parte dos visitantes. Cristiano avança pela direita e cruza, tenso, para o desvio de Rolando.

34' Tatu entra na área do FC Porto acompanhado por Bruno Alves e cai. Os pacenses pedem penálti.

42' Pimeiro remate do Paços de Ferreira. Tatu dispara, de longe, à figura de Helton que segura sem problemas.

45' Mais um remate de longe, desta feita de Ricardo. Helton defende para a frente mas a recarga de Cristiano sai directamente para fora.

49' Livre em zona frontal à baliza do FC Porto a castigar uma falta de Sapuranu sobre Cristiano. Ozéia remata forte, mas directamente para fora.

64' Remate cruzado de Pedrinha para defesa complicada de Helton. Canto sem consequências.

O FC Porto um a um

Outro maestro de luxo

CARLOS GOUVEIA

Helton 5

Estava a ser um mero espectador até que, em dois minutos, foi posto à prova: primeiro segurou bem um remate de Tatu e; depois, o melhor que conseguiu foi defender para o lado uma bomba de Ricardo. Provou que estava atento, tal como aos 64', quando desviou um tiro de Pedrinha. Esteve precipitado nas reposições.

Sapunaru 5

Discreto, mas eficiente na marcação a Cristiano, a quem concedeu poucos espaços. Aventurou-se com limitações no ataque, pecando apenas nalguns dos passes.

Rolando 6

Sempre muito atento, anulou por completo Leandro Tatu, aparecendo no sítio certo para efectuar cortes providenciais. O entendimento com Bruno Alves é cada vez melhor.

Bruno Alves 6

O Paços não foi um bom ensaio para o jogo com o Arsenal, porque o trabalho foi quase nulo. Em Londres será, seguramente, obrigado a suar muito mais a camisola. Lisandro e companhia devem dar mais trabalho nos treinos.

Lino 6

Voltou a ganhar pontos na luta pelo lugar, provando ser a melhor solução para este tipo de jogos. Eficiente a defender, não comprometeu, acrescentado profundidade ao jogo com sucessivas investidas pelo flanco e alguns cruzamentos.

Fernando 6

Certinho, está a crescer enquanto jogador e a convencer a plateia, que o escolheu como melhor em campo, mantendo a discrição do seu antecessor, Paulo Assunção.

Tomás Costa 6

Excelente posicionamento táctico, não parou um segundo, quer a anular cedo os ataques pacenses, quer a iniciar os do FC Porto. Um ensaio para Londres? Terminou encostado à direita, onde sentiu algumas dificuldades iniciais de adaptação.

Rodríguez 6

Começou a todo o gás, colocando a defensiva pacense em sentido, sobretudo o lateral Ricardo. Aos 20', quase marcou, numa das boas iniciativas individuais que construiu.

Lisandro 5

Na época passada, só ao Paços fez quatro golos e agora, ao fim de quatro jornadas, continua sem facturar na Liga. Ontem, recordou os primeiros tempos no Dragão ao jogar descaído para a direita, dispondo de duas boas ocasiões. Uma das quais na cara de Cássio. Saiu aos 70', tocado.

Farías 4

Apagado, por vezes trapalhão, acusou a falta de ritmo. Afinal, não jogava há mais de um mês. Dispôs de uma excelente oportunidade para facturar, mas foi incapaz de bater Cássio numa recarga.

Candeias 6

Entrou muito bem, com dois cruzamentos seguidos. Deu profundidade e velocidade ao lado direito.

Guarín 5

Voltou à competição, actuando quase sempre encostado à área do Paços, mas demorou a libertar-se da bola.

Hulk 6

Entrou e marcou, terminando com o nervoso miudinho que começava a impacientar as bancadas, num lance pleno de velocidade e oportunismo.

A ESTRELA

Raul Meireles 8

Caviar para abrir sobremesa a fechar

Na entrevista a O JOGO, Lucho avisou: "Há mais jogadores que comandam a equipa e não recebem o devido reconhecimento". Entre outros, estava a referir-se a Raul Meireles. Sem o capitão no onze, Meireles assumiu o comando e devolveu à equipa as vitórias com um golo soberbo e uma assistência de bandeja para Hulk. Exibição perfeita.

O Tribunal de O JOGO

Equívocos técnicos e disciplinares

O lisboeta Hugo Miguel cometeu vários lapsos técnicos e disciplinares, num jogo até simples de conduzir e que não encerrou casos polémicos. Terá a seu favor, até pela inexistência de lances duvidosos nas áreas de rigor, o facto de não ter influenciado o marcador, mas os pequenos pecados cometidos, também por deficiente sinalética dos seus assistentes - a falta de Lino sobre Cristiano foi cometida nas "barbas" de um assistente -, não lhe permitiram sair airosamente do Dragão, o que seria óptimo para quem deseja progredir

Momento mais complicado
82'
Filipe Anunciação comete falta? Impunha-se sanção disciplinar?

Rosa Santos

-

Filipe Anunciação protagoniza entrada violenta sobre o jogador do FC Porto, Raul Meireles, jogando só às pernas do adversário. O infractor deveria ter visto o cartão vermelho. Inexplicavelmente, o árbitro não agiu tecnica e disciplinarmente.

Soares Dias

-

De facto, Filipe Anunciação atinge Raul Meireles no pé de apoio. A falta existe e deveria ter sido assinalada, mas, creio, não existe motivo para uma eventual punição do jogador pacense.

António Rola

-

Não vislumbro qualquer falta. Os dois jogadores tentam, e só, jogar a bola. Anunciação joga à bola, primeiro, e depois, no movimento, atinge o adversário. Bem o árbitro a deixar seguir o lance.

35'

Bruno Alves carrega Leandro Tatu na área portista, em cruzamento de Cristiano?

39'

Fernando interrompe incursão de Cristiano com recurso a falta?

55'

Fernando pára investida de Cristiano. Ficou um cartão por mostrar?

62'

Lino atinge Cristiano nos gémeos. Ficou cartão por exibir ao lateral-esquerdo?

Rosa Santos

+

Bom cruzamento da esquerda, com o jogador do Paços de Ferreira a simular uma falta. Não existiu qualquer infracção, repito, o jogador do FC Porto disputou o lance correctamente.

+

Jogada muito rápida, admitindo que o jogador do FC Porto tenha travado em falta o avançado do Paços de Ferreira. A marcar falta, não se justificaria sanção disciplinar.

+

Fernando faz falta sobre Cristiano, dando a sensação que mete a perna à frente para o travar. A infracção foi, e bem, assinalada e o árbitro ajuizou bem a situação do ponto de vista disciplinar, não actuando.

-

É uma falta cometida por trás, merecedora, portanto, da exibição do cartão amarelo. O juiz-de-campo falhou no capítulo disciplinar.

Soares Dias

+

A imagem nâo é suficientemente esclarecedora. Não é possível ver se há ou não carga por trás. Benefício da dúvida para o árbitro.

+

Não me parece ter havido qualquer falta. O jogador do Paços de Ferreira ficou no chão, com queixas, e admito que tenha sido "tocado". Aceita-se, pois, a leitura do árbitro.

+

A falta existe, foi assinalada e a equipa infractora penalizada com o respectivo livre directo. Não há, todavia, carga perigosa, bem o árbitro ao não exibir o cartão amarelo.

-

O Lino faz falta sobre o Cristiano e tem uma entrada perigosa, colocando em causa a integridade física do adversário. Deveria ter sido admoestado com o cartão amarelo.

António Rola

+

Tanto o jogador do FC Porto como o do Paços tentam disputar a bola. Tatu sente um "toque" e deixa-se cair, à procura daquilo que não existiu: falta.

-

Com o braço direito, Fernando atinge o adversário quando passa à sua frente. Um contacto evitável. Protagonizou conduta antidesportiva, pelo que se justificava penalização técnica e disciplinar. O árbitro errou.

+

Carga pelas costas de Fernando ao avançado pacense, prontamente, e bem, assinalada. Perante o critério adoptado, aceita-se a inexistência disciplinar para o infractor.

-

O Lino fez falta merecedora de cartão amarelo, já que teve uma entrada perigosa sobre o adversário. O árbitro não julgou convenientemente o lance.

Resumo do Jogo

domingo, 21 de setembro de 2008

Jornada 3 » Rio Ave 2-0 FCPorto

Acordar tarde e esbarrar no poste

HUGO SOUSA

Quarto ponto perdido pelo FC Porto em três jogos de campeonato, um braço polémico de Gaspar a justificar reclamações, mas, acima de tudo, uma pergunta óbvia, depois de colada a primeira à segunda parte: que bicho lhes mordeu? Num inesperado golpe de magia, os portistas apostaram tudo na invisibilidade. Chegaram mesmo a desaparecer de campo, deixando um rasto de passes errados e a ideia de um aparente cansaço. Surpreendido com as facilidades, o Rio Ave soube resistir à táctica da almofada, pegando no jogo da pior forma possível para o adversário. Ou seja, controlando-o. Bola no pé e bem trocada, em ataques orquestrados por Evandro e Livramento, o que obrigava o FC Porto a um desgaste ainda mais acentuado e duplamente penalizador: além de vincar a tal fragilidade física do dragão, mantinham-no concentrado na tarefa única de anular as investidas. Lisandro, isolado e pouco acompanhado, não passava de uma miragem. Sapunaru tentava subir, Mariano procurava acelerar, mas sempre contra a muralha da casa. Pior do que isso: na esquerda, Fucile e Rodríguez juntaram-se numa prolongada soneca, acompanhados por Raul Meireles e Lucho. Assim se chegou ao intervalo no jogo e ao ponto final do dragão alheado.

Do balneário, com as orelhas bem puxadinhas, os portistas voltaram com rastilho preso às botas, ainda que tenham demorado uns minutos a acendê-lo. Explodiram, então, em velocidade, partiram para cima do adversário e isto, repare-se, sem que Jesualdo tenha precisado de mudar. Provava-se, assim, que tinha havido uma atitude exageradamente relaxada. As entradas de Lino e Hulk, pouco depois, acentuaram a inclinação de ataque, deixando o Rio Ave encurralado no seu meio-campo. Rodríguez forçava, finalmente, o andamento; Lucho atinava melhor na condução de jogo e Sapunaru continuava a explorar a direita a todo o comprimento. Mas, como já tinha acontecido aos vila-condenses na primeira parte, o FC Porto foi desperdiçando oportunidades, precipitando-se nos remates. João Eusébio apercebeu-se do perigo e decidiu refrescar a equipa, dando-lhe novo fôlego com Tarantini e Semedo. Na ponta final, já com Candeias, os portistas carregaram a fundo no acelerado, esbarrando no poste. Normalmente, acontece a quem adormece.

Rio Ave 0-0 FC Porto

Estádio do Rio Ave

relvado razoável

Cerca de 4000 espectadores

Árbitro Pedro Proença (AF Lisboa)

Assistentes Tiago Trigo e André Campos >> 4.º árbitro Vasco Santos

Treinador João Eusébio

51 Paiva GR 7

7 Miguel Lopes LD 5

20 Bruno Mendes DC 6

2 Gaspar DC 6

25 Sílvio LE 5

14 André Vilas Boas MD 6

5 Niquinha MO a 90'+1' 5

6 Delson MD 6

8 Livramento AD a 64' 5

4 Evandro AE 7

35 Chidi AV a 69' 6

-

74 Mora GR

27 Jorge Humberto DC

30 Wires MD

83 Tarantini MO d 64' 5

19 André Carvalhas AV d 90'+1' -

31 Ronaldo AV

18 Semedo AV d 69' 5

Golos

amarelos 29' Livramento;

vermelhos Nada a assinalar

Treinador Jesualdo Ferreira

1 Helton GR 5

21 Sapunaru LD 6

14 Rolando DC 5

2 Bruno Alves DC 6

13 Fucile LE a 59' 3

25 Fernando MD 6

8 Lucho MO 5

16 Raul Meireles MO a 78' 4

11 Mariano AD a 59' 5

10 Rodríguez AE 5

9 Lisandro AV 6

-

33 Nuno GR

3 Pedro Emanuel DC

15 Lino LE d 59' 6

20 Tomás Costa MO

23 Candeias AE d 78' 5

12 Hulk AV d 59' 5

19 Farías AV

Golos

amarelos 21' Rolando; 22' Fucile; 47' Lucho; 81' Hulk; 89' Rodríguez;

vermelhos Nada a assinalar

Lances-chave

Rio Ave

6' Livre de Delson, a punir falta de Fernando sobre Evandro, bate na barreira e sai pouco ao lado da baliza de Helton. Canto.

16' Fernando perde a bola, e Chidi aproveita para rematar com perigo, ganhando um canto.

22' Na sequência de um livre, Miguel Lopes aparece descaído sobre a esquerda e com espaço para rematar. A bola sai na direcção de Helton, que a pára com dificuldade.

26' A vez de Niquinha atirar. Forte, mas ao lado.

49' Miguel Lopes ganha a bola a Bruno Alves, foge e remata. Com força, mas sem a direcção desejada.

54' Insistência de Chidi, a puxar o Rio Ave para a frente. Ganha um canto que Gaspar, sem marcação na área, não consegue aproveitar.

74' André Vilas Boas viu Helton fora da baliza e atirou de longe. Errou por pouco.

FC Porto

9' Fucile arrisca o remate de longe. É o primeiro do FC Porto e para fora. Lisandro imita-o na jogada seguinte e ganha canto.

14' Lucho vê bem a correria de Sapunaru pela direita, com quem combina, e o romeno aparece na cara de Paiva, que defende o remate. Canto inconsequente.

30' Rolando voa para chegar a um canto de Lucho, mas o cabeceamento sai-lhe torto.

45' Oportunidade mais perigosa do FC Porto na primeira parte: atraso de Miguel Lopes, de cabeça, quase surpreende Paiva.

57' Mariano combina com Sapunaru, que aposta num remate cruzado perigoso. Paiva vê a bola passar ligeiramente ao lado.

63' Lino e Rodríguez trabalham para um remate de Lisandro, que obriga Paiva a esticar-se e a ceder canto.

68' Hulk experimenta: dispara de longe, mas erra o alvo.

69' Outra vez Lisandro. Já na área e sem opositor, depois de assistido por Rodríguez, atira por cima.

73' Fernando pica a bola por cima da defesa do Rio Ave e Lucho toca de raspão, com a cabeça. Perigo para Paiva.

77' Incursão perigosa de Sapunaru, que surge na área a tentar emendar um cruzamento de Rodríguez. Emenda, mas para fora.

88' Canto de Lino para a cabeça de Lisandro. A bola sai enrolada, para novo canto.

O FC Porto um a um

Ficaram a dormir no banho turco

Helton 5

Apesar de o Rio Ave ter ameaçado muitas vezes, a verdade é que o brasileiro apenas efectuou duas defesas, após remates de Chidi e Miguel Lopes.

Sapunaru 6

Constatar que o romeno foi um dos jogadores que mais perigo criaram, aparecendo na área por duas vezes, dá uma ideia do que foi o FC Porto. Esteve bem nas tarefas defensivas e atacou bastante.

Rolando 5

Começou por dar nas vistas com um cabeceamento fraco, ao lado, num canto de Lucho. Na defesa, sentiu alguns problemas para controlar Chidi, mas sem comprometer a baliza.

Bruno Alves 6

Esteve quase a marcar na cobrança de um livre. A bola foi ao poste, mas abriu o apetite para outros lances do género. No seu habitat natural, ganhou mais lances do que perdeu, sem deixar de mostrar a impetuosidade do costume.

Fucile 3

Para esquecer. Entrou mal no jogo e continuou da mesma forma até dar o lugar a Lino. Deu muito espaço a Livramento e acumulou erros, na marcação, recepção de bola ou passe. Para piorar as coisas, ainda viu um amarelo perfeitamente desnecessário.

Fernando 6

O melhor da equipa. Encarou o adversário como se estivesse na Liga dos Campeões - algo que a maior parte dos companheiros não fez - e esteve eficiente a tapar os caminhos para a sua baliza e prático a entregar a bola.

Lucho 5

Com o relvado pesado, o argentino viu-se apenas a espaços. As assistências para Sapunaru e Lisandro, que poderiam ter resultado em golo, acabaram por ser os melhores momentos. Por outras palavras, fez pouco.

Raul Meireles 4

Outra má exibição, com reflexos directos na equipa. Apenas fez um bom passe longo. No resto, não conseguiu dinamizar as acções ofensivas, nem foi tão eficaz como costuma ser a controlar o adversário.

Mariano 5

O mais activo na primeira parte, mas sem conseguir deslumbrar. Pediu a bola e partiu para cima dos adversários tentando dar chama à equipa, e isso foi mais notado porque a apatia era praticamente geral.

Lisandro 6

Andou desaparecido até ao intervalo. Na segunda parte, esteve combativo, ganhou bolas e assustou Paiva. Aliás, proporcionou-lhe a defesa da noite, aos 63', num remate forte e colocado. Um cabeceamento, também desviado pelo guarda-redes, e outro remate, após assistência de Lucho, que saiu por cima da barra, completaram a amostra.

Rodríguez 5

Na primeira parte, esteve ao nível de Fucile, formando um flanco esquerdo permeável e apagado. Foi um dos que devem ter acusado as correcções ao intervalo e mostrou mais empenho: ganhou mais bolas e efectuou alguns cruzamentos, contribuindo para sufocar o Rio Ave na meia hora final. Aos 89', viu um amarelo e arriscou ao encostar praticamente o nariz na cara de Pedro Proença.

Lino 6

Dois toques na bola serviram para ganhar na comparação com Fucile. Mexeu com o ataque e protagonizou cruzamentos perigosos.

Hulk 5

Pode queixar-se de uma falta de Gaspar quando se encaminhava para a baliza. Um remate forte, mas ao lado, foi o lance mais perigoso do brasileiro.

Candeias 5

É um jogador mais incisivo do que Mariano. Ganhou os duelos individuais e foi à linha cruzar algumas vezes.

O Tribunal de O JOGO

Rio Ave escapou de um penálti

O desfecho do jogo disputado em Vila do Conde poderia ter sido outro, se Pedro Proença tivesse castigado o Rio Ave com uma grande penalidade. No ressalto de uma bola, Gaspar desvia-a com o braço, em plena grande área, e os quatro especialistas do Tribunal de O JOGO são unânimes na avaliação: ficou por marcar um penálti. Esta foi a grande nódoa negra no trabalho realizado pela equipa de arbitragem liderada pelo árbitro lisboeta. Só um cartão amarelo mostrado ao portista Hulk, a punir uma simulação, dividiu opiniões.

Momento mais complicado
79'
Após o livre de Bruno Alves, Gaspar desvia a bola com o braço. Ficou por assinalar um penálti?

Jorge Coroado

-

Na sequência do livre cobrado pelo Bruno Alves, a bola ressalta no poste e Gaspar, que vem na cobertura ao seu guarda-redes, alonga o braço direito, perturbando a trajectória da bola. Grande penalidade que devia ter sido assinalada, e não foi.

Rosa Santos

-

Há realmente um desvio de Gaspar com o braço que deveria ter sido punido com grande penalidade. Para além disto, o jogador do Rio Ave deveria ter visto o cartão amarelo. Aqui, o árbitro erra nas componentes técnica e disciplinar.

Soares Dias

-

Pelas imagens televisivas, é possível verificar que a bola, depois de bater na poste, ressalta na direcção do Gaspar, que a desvia com o braço. Ficou por marcar uma grande penalidade contra o Rio Ave.

António Rola

-

Após a bola embater no poste da baliza do Rio Ave e ressaltar para o terreno de jogo, Gaspar utiliza o braço direito ao tentar desviar a sua trajectória, pelo que ficou por sancionar uma grande penalidade contra o Rio Ave.

Outros Casos

23'

Lisandro está em posição ilegal no momento do cruzamento?

41'

Sílvio corta a bola com o braço, a justificar grande penalidade?

81'

Hulk simula falta ou é carregado por Gaspar?

90'+2'

É bem assinalada uma deslocação a Semedo?

Jorge Coroado

+

Lisandro encontra-se adiantado em relação ao penúltimo defensor, e aqui é bom referir que a avaliação de situações semelhantes é feita ponderando a cabeça, o tronco ou pernas do atacante.

+

O remate é feito muito à queima-roupa, e o jogador, em queda, faz um movimento com o braço, em compensação do desequilíbrio e na protecção do rosto.

+

Hulk ultrapassa os adversários e, sentindo a proximidade de Gaspar, simula uma rasteira. É bem exibido o cartão amarelo.

+

Semedo encontra-se adiantado em relação à bola e ao penúltimo defensor. Positiva a acção do árbitro-assistente.

Rosa Santos

+

No momento do passe, Lisandro encontra-se adiantado em relação ao penúltimo defensor. O lance é bem avaliado.

+

Não há qualquer dúvida de que Sílvio joga a bola com o braço, mas não é um lance passível de grande penalidade.

-

Neste lance, não interessa se é dentro ou fora da área. O sr. árbitro erra ao transformar uma falta defensiva numa falta atacante. Inexplicável o cartão amarelo mostrado ao jogador do FC Porto.

+

O jogador do Rio Ave encontra-se efectivamente em fora-de-jogo. É bem assinalado o deslocamento.

Soares Dias

+

Quando a bola lhe é endossada, o Lisandro encontra-se ligeiramente adiantado, pelo que é bem assinalado o fora-de-jogo pelo árbitro assistente, que estava atento.

+

Numa primeira imagem, parece que a bola lhe bate no braço. Já na repetição verifica-se que a bola bate no peito do jogador, sem falta.

-

Não há qualquer simulação de Hulk. O jogador do FC Porto é derrubado em falta por Gaspar. É por isso mal exibido o cartão amarelo a Hulk. Ficou por marcar uma falta à entrada da área.

+

Quando a bola lhe é passada, Semedo encontra-se ligeiramente adiantado, pelo que o árbitro assistente esteve bem ao assinalar o respectivo fora-de-jogo.

António Rola

+

No momento em que a bola lhe é passada, Lisandro encontra-se em posição de fora-de-jogo. Bem o árbitro-assistente ao dar a indicação da infracção ao árbitro Pedro Proença.

+

Lisandro remata muito perto do adversário, e este faz uma rotação de corpo. A bola bate-lhe na coxa e no braço, sem qualquer infracção.

+

É uma situação de difícil julgamento. Tudo indica que Hulk simula uma falta, pelo que concordo com a decisão do árbitro de advertir com cartão o jogador do FC Porto.

+

No momento do passe, o jogador do Rio Ave está efectivamente em fora-de-jogo. Decisão acertada do árbitro assistente.

sábado, 30 de agosto de 2008

Jornada 2 » Benfica 1 - FCPorto 1

Foram-se as pernas desligou-se a cabeça

JOÃO SANCHES

A forma como Katsouranis, um jogador experiente e com muitos quilómetros nas pernas, se deixou ludibriar pela movimentação de Lucho no lance que, decorridos apenas dez minutos de jogo, levou Jorge Sousa à primeira grande decisão da noite, é sintomática da ainda deficiente articulação do grego com Luisão e, por outro lado, suficientemente ilustrativa para enfatizar uma das conclusões a espremer deste clássico: o Benfica, muito antes de se ver reduzido a dez jogadores (por expulsão de Katso, aos 59') e, depois, de claudicar fisicamente, foi surpreendido pelas medidas com que Jesualdo Ferreira talhou este FC Porto. Além de dar altura ao eixo defensivo - com a aposta em Rolando para parceiro de Bruno Alves - e de recolocar Fucile à esquerda para apagar o fogo que poderia sair das botas dos flanqueadores Di María e Reyes, guarneceu a linha média para se superiorizar. Escaldado pelos acontecimentos da Supertaça - troféu perdido para um Sporting que ganhou a batalha no meio-campo -, resolveu pôr Fernando como pivô defensivo, confiou a Raul Meireles a dupla missão de reinar na zona interior esquerda e de proteger as costas de Rodríguez, que muitas e muitas vezes executou diagonais para o centro, encostou Tomás Costa à direita e entregou a Lucho a responsabilidade de garantir os equilíbrios, ora fechando ao meio, ora surgindo como segundo avançado. E foi nesse papel que o argentino, travado irregularmente por Katsouranis na área benfiquista, arrancou a grande penalidade que ele próprio se encarregaria de converter.

Carlos Martins e Yebda, excessivamente alinhados sobre a zona central, concediam espaços a mais nas costas, e o ataque portista, impulsionado por Rodríguez - apesar das invectivas e dos assobios que escutou... -, Lucho, Meireles e Lisandro, explorava o espaço entre linhas - e, num desses aproveitamentos, Lisandro, aos 41', atirou cruzado ao poste. Mas o Benfica, apesar do buraco no esquema táctico, e embora Aimar teimasse em actuar muito distante de Cardozo, raramente funcionando como segundo atacante, vivia da energia de Di María e de alguns passes a rasgar de Reyes e Carlos Martins. E a melhor situação de golo dos encarnados em toda a primeira parte teve origem numa jogada de laboratório bem executada, mas que esbarrou, quase acidentalmente, na muralha improvisada pelos dragões à frente da pequena área.

O primeiro sinal de descompensação física na equipa benfiquista surgiu ao minuto 47 - já Guarín tinha rendido Tomás Costa no FC Porto -, com Aimar a lesionar-se depois de um cruzamento em esforço. De uma cavalgada insistente de Yebda (outro elemento que viria a penar por insuficiência muscular) pelo flanco canhoto resultou a oferta de Helton - mal a desfazer o cruzamento - para o cabeceamento instintivo de Cardozo. A bola não beijou a malha, mas ultrapassou o risco de golo.

O entusiasmo do Benfica sofreria um forte revés aos 59', com a expulsão de Katsouranis. Quique levou demasiado tempo a reorganizar a equipa - Sidnei teria de entrar para o centro da defesa, ficando o ataque mais curto com a saída de Cardozo -, e, nesse intervalo, até deu para Jesualdo substituir um trinco (Fernando) por um avançado (Hulk). As dificuldades físicas dos encarnados cresceram nos últimos 20', com as lesões de Léo e Yebda e as mazelas de Reyes, Di María e Carlos Martins. Já com Rúben Amorim a fazer de lateral-direito e Maxi no papel que era de Léo, o Benfica uniu-se numa empreitada de sacrifício para salvar o ponto e, garantido pelo desempenho positivo de Quim na baliza, conseguiu bloquear o assomo final dos dragões, que foram então muito precipitados no último passe e, aqui ao ali, pagaram também pelo excesso de individualismo - principalmente de Hulk.

Benfica 1-1 FC Porto

Estádio da Luz

relvado em bom estado

53 496 mil espectadores

Árbitro Jorge Sousa (AF porto) >> Assistentes José Ramalho e José Luís Melo

4.º árbitro Duarte Gomes

Treinador Quique Flores

12 Quim GR 7

14 Maxi Pereira LD 6

4 Luisão DC 5

8 Katsouranis DC 1

5 Léo LE a 69' 6

26 Yebda MD 5

24 Carlos Martins MO 4

6 Reyes AD 4

20 Di María AE 6

10 Aimar AV a 50' 4

7 Cardozo AV a 66' 6

1 Moreira GR

27 Sidnei DC d 66' 6

18 Binya MD

11 Balboa AD

15 Rúben Amorim AD d 69' 6

19 Makukula AV

21 Nuno Gomes AV d 50' 5

Golos

56' Cardozo [1-1]

amarelos 11' Katsouranis, 51' Cardozo, 59' Katsouranis, 84' Nuno Gomes

vermelhos 59' Katsouranis

Treinador Jesualdo Ferreira

1 Helton GR 4

21 Sapunaru LD 5

14 Rolando DC 8

2 Bruno Alves DC 7

13 Fucile LE 6

25 Fernando MD a 62' 7

16 Raul Meireles MD a 83' 6

20 Tomás Costa AD a INT 4

8 Lucho MO 8

10 Rodríguez AE 7

9 Lisandro AV 6

33 Nuno GR

15 Lino LE

3 Pedro Emanuel DC

6 Guarín AD d INT 6

23 Candeias AE d 83' 5

12 Hulk AV d 62' 7

19 Farías AV

Golos

11' Lucho [0-1 g.p.]

amarelos 17' Sapunaru, 20' Fernando, 27' Rodríguez, 70' Lucho, 82' Lisandro

vermelhos Nada a assinalar

Lances-chave

3' Aimar aparece bem no interior da área e cabeceia por cima, após centro da direita, de Carlos Martins.

18' Livre à Camacho de Carlos Martins: o passe atrasado para Reyes é perfeito, o remate do espanhol bate num jogador do FC Porto e sai pela linha de fundo.

18' Outra vez Carlos Martins, agora no canto: primeiro desvio, de cabeça, de Cardozo; segundo, de pé direito, de Aimar para Lisandro parar no peito e cortar, de qualquer maneira, em cima do risco.

21' Carlos Martins remata forte, na marcação de um livre frontal, e Helton, que está na direcção da bola, agarra.

45'+1' Aimar solta-se e centra da direita. Cardozo salta mais alto do que Rolando e atira por cima da barra.

46' Di María lança Aimar, que se esforça para atingir a bola e remata para Helton. O argentino fica caído e é substituído.

48' Lance individual de Di María, a disparar cruzado, para fora, após passar por vários adversários.

52' Reyes avança no terreno e ganha enquadramento, mas o remate sai ao lado

56' [1-1] Yebda progride pela esquerda, cruza, e Helton defende para a frente, onde está Cardozo. O "Tacuara" cabeceia, Helton ainda toca na bola, e Bruno Alves afasta-a, só que já para lá da linha de golo.

63' Nuno Gomes surge na área, em boa posição, e, em esforço, chuta ao lado.

71' Maxi Pereira, já a defesa-esquerdo, arrisca o remate do meio da rua, sem perigo para Helton.

FC Porto

11'[0-1] Penálti de Katsouranis sobre Lucho. Bola larga para a grande área benfiquista, onde o grego agarra o argentino. Este, na conversão, atira para o lado direito de Quim. O 12 da Luz adivinha o lado, mas não consegue defender.

19' Rodríguez quase silencia a Luz: primeiro, ganha a bola, após remate de Lisandro, e dispara forte para boa defesa de Quim; depois, na recarga, vê Quim desarmá-lo no último instante.

41' Lisandro desmarca-se sobre o lado direito e é assistido por Lucho. O remate do 9 dos dragões sai cruzado e só pára no poste mais distante da baliza do já batido Quim.

43' Remate de Tomás Costa, ainda de meia-distância, com a bola a acabar atrás dos placares de publicidade.

49' Cavalgada impressionante de Guarín, a romper pela direita e a oferecer o golo, num passe atrasado (e açucarado), a Lisandro. Este, sem oposição, atira por cima.

61' Rodríguez em foco, agora a conseguir romper pela esquerda e a chutar forte para nova intervenção apertada de Quim. Canto.

64' Eis Hulk, recém-entrado, num tiro à entrada da área, obrigando Quim a arrojar-se para segurar.

66' Hulk, agora de pé direito, novamente com um bom remate para Quim defender... outra vez.

89' Fucile, em apoio ao ataque, capta a bola e nem pensa duas vezes em visar a baliza. A bola sai ao lado.

90'+3' Candeias perto da vitória. O extremo ganha espaço e posição: o tiro, em arco, passa perto do poste.

O Benfica um a um

Luvas de Quim contra uma tragédia grega

FILIPE PEDRAS

Quim 7

Ainda nem tinha feito uma defesa e já estava com Lucho à frente na marca de grande penalidade (10'). Até adivinhou o lado, mas não conseguiu suster o disparo. Impecável a sair dos postes, de registar as enormes intervenções a tirar o pão da boca a Rodríguez (19'): primeiro com uma estirada, depois já aos pés do uruguaio. O resto, foi pura segurança.

Maxi Pereira 6

Ganhou os duelos individuais que foi tendo com o amigo Rodríguez durante toda a primeira metade e a história repetiu-se na segunda metade, onde acabou mesmo como lateral-esquerdo. Certinho, nunca permitiu grandes veleidades nos terrenos que pisou.

Luisão 6

Exibição marcada pelo desperdício escandaloso quando tinha a baliza à sua mercê (18'). Não fosse tão clamorosa falha e até veria a avaliação inflacionada, pois esteve (quase) sempre bem no cumprimento do seu dever, fosse pelo ar ou à flor da relva.

Katsouranis 1

Um verdadeiro desastre. Primeiro, complicou o que parecia simples e, de uma falta infantil cometida na grande área resultou a vantagem dos azuis e brancos. Depois, entre outros desacertos pontuais, viu o segundo cartão amarelo aos 59' (!) com nova entrada imponderada, obrigando a equipa a correr o dobro quando até procurava a reviravolta.

Léo 6

Muito bem a apoiar o ataque, sempre que para isso teve oportunidade, viu-se apenas em trabalhos quando - a espaços - lhe eram colocadas bolas nas costas. Acabou por sair lesionado aos 69', mas até aí não foi por si que surgiram sobressaltos.

Yebda 5

Até parecia estar já habituado ao ambiente dos grandes clássicos, mas demorou a perceber que a ligação com a defesa não estava oleada. Quando ainda faltava quase meia hora para o final do jogo, já apresentava nítido desgaste físico, mas é dele a jogada que resulta no tento do empate encarnado.

Carlos Martins 4

Talvez receoso pelas subidas de Lucho, pareceu - durante largos minutos - inibido no assumir do jogo encarnado. Bem na cobrança das bolas paradas, a exemplo do lance estudado que esteve perto de resultar em golo (18'), não viu a história repetir-se com o esférico em movimento. Afinal, os passes a "rasgar" nunca saíram e o precoce desgaste físico só veio agudizar a desinspiração.

Reyes 4

Em noite de estreia oficial, muito coração e pouca objectividade. Mostrou que se sente mais à vontade na esquerda e também que está longe da melhor forma física, tais as dificuldades que manifestou em dar rápido seguimento aos contra-ataques.

Di María 6

Directo de Pequim para o onze inicial, deu sempre que fazer à defesa portista. Teve o golo nos pés (18') entre os vários pormenores de recorte técnico - o sinal de alerta ligava-se sempre que tinha a bola - e nunca teve pejo de partir para cima dos adversários. Terminou, também ele, esgotado, mais entregue a tarefas defensivas.

Aimar 4

Teve sempre honras de atenção especial de Fernando e até poderia ter marcado logo aos 3', não fosse o cabeceamento sair por alto. Não muito depois (18') viu o que parecia ser um golo cortado em cima da linha de baliza e pouco mais se viu, até que acabou por se lesionar no seguimento de um lance potencialmente perigoso para as redes de Helton (47').

Cardozo 6

Muito desacompanhado durante largos minutos, teve a difícil tarefa de lutar entre Bruno Alves e Rolando. Trabalhou sempre, contudo, e acabou por ser precisamente na zona de finalização que aceitou a prenda de Helton para festejar o único tento encarnado. Saiu apenas porque Quique Flores foi "obrigado" a lançar Sidnei.

Nuno Gomes 5

Entrou aos 50' para acabar de aquecer já no relvado e mexeu com o futebol encarnado, dando que fazer aos centrais portistas. Exemplo disso o remate na passada, às malhas laterais (64'), quando já enfrentava a ingrata tarefa de jogar muito só na frente. Assim foi durante meia hora de muita entrega.

Sidnei 6

Entrou bem. Excelente na leitura dos lances sempre que foi chamado a intervir, com o mérito de ter sido esta a sua estreia oficial. Uma limpeza.

Rúben Amorim 6

Permeável aqui e ali às investidas pelo seu flanco, acabou por ser muito importante, todavia, na fase final do encontro.

O FC Porto um a um

A jogar assim, Lucho pode renovar até à eternidade

TOMAZ ANDRADE

Helton 4

Exibição manchada pelo lance do golo benfiquista. Saiu mal ao cruzamento e colocou a bola na cabeça de Cardozo. Entre os postes, não sentiu dificuldades e parou todos os remates que foram à baliza. Arriscou a jogar com os pés em algumas saídas.

Sapunaru 5

Jogo intermitente do romeno. Com Di María pela frente, ganhou e perdeu lances, mas foi com Yebda que ficou com um sabor amargo na boca, quando o francês passou por ele no golo do Benfica. Ainda a apalpar terreno, ficou a ideia de poder atacar mais.

Bruno Alves 7

Nota-se que gosta deste tipo de jogos, disputados até à última pinga de suor. Foi isso que fez, sem perder a concentração. Excelente o passe longo para Lucho, que depois sofreu falta de Katsouranis na grande área benfiquista. Ainda tentou tirar a bola de dentro da baliza no golo do empate, mas foi impossível fazer melhor.

Tomás Costa 4

A exibição menos conseguida. Se, em termos defensivos, ainda foi útil, porque tapou bem os espaços na pressão sobre o adversário, com a bola nos pés acumulou erros e passes. Destaque para um remate muito forte que saiu ligeiramente ao lado da baliza de Quim. Foi substituído sem surpresa ao intervalo, entrando Guarín para o seu lugar.

Raul Meireles 6

É talvez o jogador mais útil do meio-campo do FC Porto. Joga em qualquer lado e fá-lo sempre bem. Desta vez, subiu mais no relvado e dividiu a acção entre a pressão constante sobre o adversário e rápidas saídas para o ataque. Tentou, sem sucesso, o remate de longa distância. Acabou a trinco.

Lisandro 6

É possível ficar cansado só de olhar para o argentino, em constante movimento, e é impossível que alguém não se admire com a sua vontade de jogar. Logo no início, impediu o golo de Aimar. Destaque para um remate ao poste, após excelente trabalho, e para uma perdida incrível frente a Quim.

Rodríguez 7

O uruguaio fez ouvidos de mercador aos constantes e ruidosos assobios dos adeptos encarnados e partiu para uma grande exibição. Duas jogadas soberbas só foram paradas por Quim, sendo ainda responsável pela expulsão de Katsouranis. Baixou um pouco na segunda parte, mas deixou sempre a ideia de poder criar pânico.

Guarín 6

Entrou bem num jogo que estava eléctrico, adaptando-se rapidamente à equipa. Melhor do que Tomás Costa, ajudou a encurtar a distância entre o meio-campo e o ataque. Fruto de uma grande capacidade física, apareceu na construção ofensiva com muita frequência. Excelente jogada aos 50', servindo Lisandro em plena área, mas o remate do argentino saiu torto. No fim, deu uma ajuda à defesa.

Hulk 7

Apesar do pouco tempo em campo, a nota justifica-se pela sensação de pânico que criou no adversário. Cheio de técnica, colou a bola ao pé esquerdo e deixou adversários para trás em várias ocasiões. Valeu Quim por duas vezes, parando dois remates do brasileiro, um com o pé esquerdo e outro com o direito. Na parte final, ainda foi servido por Candeias, mas perdeu tempo de remate.

Candeias 5

Com o Benfica partido e desgastado, a ideia de Jesualdo Ferreira ao lançar Candeias foi a de aproveitar a sua velocidade de ponta. O extremo esqueceu-se do nervosismo e entrou sem medo. Boa jogada a passar por Rúben Amorim, aos 83', e a colocar a bola em Hulk. Em cima do apito final, rematou cruzado, e a bola não passou longe da baliza de Quim.

Os rostos da revolução

Fernando 7

Estreia promissora. Fez um jogo tão simples e eficiente que, a dada altura, pareceu estar Paulo Assunção em campo. Venceu praticamente todos os duelos individuais. Demonstrou ainda uma boa leitura de jogo, com passes acertados.

Fucile 6

Outra surpresa. Jogou no lugar de Benítez e deu outra segurança à defesa. Com Reyes ou Di María, não tirou os olhos do adversário e ganhou muitos lances. Explorou bem os espaços concedidos e atacou com frequência.

Rolando 8

Soberba estreia. Surgiu com surpresa no lugar de Pedro Emanuel, para tentar anular o forte jogo aéreo do adversário, e esteve praticamente intransponível. Impressionante a serenidade que colocou em cada lance.

A ESTRELA

Lucho 8

Um dia depois de ter prolongado o contrato que o liga ao FC Porto, voltou a demonstrar que é um jogador brilhante. No campeonato português, não tem concorrência, quando se trata de ler o jogo. Escolhe os ritmos, faz os passes e constrói o ataque com precisão incrível. Sem grandes preocupações defensivas, surgiu a apoiar o ataque, como no lance que deu origem ao golo portista. Sofreu falta de Katsouranis e encarregou-se de bater Quim. De forma irrepreensível.

O Tribunal de O JOGO

Um erro grave na fase inicial No seu quarto clássico, Jorge Sousa foi muito bem assistido por José Luís Melo e por José Ramalho, mas cometeu um erro grave. É esta, sinteticamente, a opinião de três dos especialistas na matéria. Por estar indisponível, Soares Dias não fez a habitual análise ao trabalho do árbitro. O erro grave cometido por Jorge Sousa verificou-se na fase inicial, quando não expulsou Luisão, por agressão ao romeno Sapunaru. De resto, foi totalmente positivo o trabalho do árbitro que nasceu e reside em Lordelo, freguesia do concelho de Paredes.

Momento mais complicado
6'

Luisão devia ser expulso por alegada agressão sobre Sapunaru? E devia ter sido marcado penálti?

JORGE COROADO

-

Com o braço esquerdo, Luisão atingiu deliberdamente Sapunaru. O jogo estava interrompido para execução de um canto. Somente a acção disciplinar se impunha, que seria cartão vermelho. De referir ser o lance visível por acção das câmaras. Para além desta agressão, verificaram-se vezes de mais agarrões e empurrões aquando da execução de pontapés de canto. Os árbitros têm instruções para advertir de imediato.

ROSA SANTOS

-

Luisão dá uma chapada na cara de Sapunaru. Não ficam dúvidas de que o defesa-central do Benfica merecia ser expulso na sequência deste lance. O árbitro parou o jogo e, infelizmente, não terá visto a atitude do jogador do Benfica.

ANTÓNIO ROLA

-

Sendo um lance de muito difícil julgamento para o árbitro, na verdade Luisão, sem que esteja a disputar a bola, com o cotovelo atinge a cara do adversário. Caso o árbitro tivesse visto o lance, teria de agir no aspecto disciplinar.

Outros casos

10'

É bem assinalada a grande penalidade, por falta de Katsouranis sobre Lucho?

20'

Um adepto encarnado aperta o pescoço ao assistente José Ramalho. Que consequências para o Benfica?

30'

Disputa de bola entre Raul Meireles e Di María na área portista. Há penálti?

55'

Golo do Benfica. Bruno Alves tira a bola de dentro da baliza, após cabeceamento de Cardozo?

58'

Katsouranis entra sobre Rodríguez. Bem mostrado o segundo amarelo?

JORGE COROADO

+Inquestionável e incontestável. O grego agarrou o braço esquerdo e a camisola do argentino em acção desnecessária e absurda, penalizante para a sua equipa. Exibição do cartão amarelo adequa-se à situação.

+

Está previsto no Regulamento Disciplinar da Liga. Árbitro e delegados mencionarão o caso nos respectivos relatórios; causará prejuízos aos locais. Os árbitros não são responsáveis.

+

Não houve qualquer infracção do jogador portista; apenas uma disputa mais determinada de Raul Meireles, da qual saiu vencedor.

+

Não deixa dúvidas.O assistente, por aquilo que foi dado a observar, para além de ter acompanhado convenientemente a jogada, estava muito bem colocado.

+

Inequívoca a exibição do segundo cartão amarelo. Aliás, em critério uniforme, com a exibição efectuada, aos 26', a Rodriguez.

ROSA SANTOS

+

A grande penalidade é bem assinalada. Ficou, no entanto, por exibir o cartão vermelho a Katsouranis. Decisão incorrecta do árbitro internacional do Porto.

+

É um problema da Comissão Disciplinar da Liga. Há um mau policiamento. Não seria agradável para o Benfica se fosse um jogo da UEFA. O árbitro, nestas ocasiões, não tem de interferir.

+

Não há nada. Raul Meireles não faz qualquer falta sobre Di María. Apenas procura jogar a bola e tem mérito na forma como a tira do argentino.

+

Sim. Não há dúvida de que a bola entra na baliza de Helton. Bruno Alves foi mesmo buscá-la para além da linha de golo. O árbitro-assistente estava bem posicionado e prestou o devido auxílio.

+

Bem mostrado o segundo cartão amarelo ao jogador grego. Jorge Sousa não poderia ter outra atitude que não fosse a de o mandar tomar banho mais cedo.

ANTÓNIO ROLA

+

Sim. É tão grande penalidade como desnecessária. No entanto, o árbitro esteve bem, tanto no aspecto técnico como no disciplinar.

+

Não sendo da responsabilidade do árbitro, este irá relatar o acontecimento no relatório. Compete às instâncias disciplinares da Liga decidir em conformidade.

+

Raul Meireles antecipa-se e ganha posição ao adversário. Todo e qualquer contacto que possa existir não justifica sanção técnica. Esteve bem o árbitro ao nada assinalar.

+

Efectivamente, quando o jogador do FC Porto tentou tirar a bola, esta já estava completamente dentro da baliza. De destacar aqui a boa informação do árbitro-assistente José Ramalho.

+

Sim. Sem quaisquer hipóteses de jogar a bola, o jogador do Benfica atingiu o adversário de forma perigosa. Para além da sanção técnica, o árbitro também esteve bem no aspecto disciplinar.

Transcrito de http://www.ojogo.pt/24-192/artigo743446.asp



segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Jornada 1 » FC Porto 2 - Belenenses 0

Um golo incrível a levantar o estádio

HUGO SOUSA

Vale a pena começar quase pelo fim da história, sem lhe comprometer o princípio e o meio: o golo de Hulk, o soberbo golo de Hulk, anula tudo o resto. Sim, o FC Porto entrou a ganhar no campeonato; sim, isso foi importante para retocar uma imagem que tinha saído muito desfocada do jogo da Supertaça; sim, Jesualdo Ferreira conseguiu encontrar uma fórmula mais equilibrada com ligeiras alterações de conteúdo; sim, tudo isso importa. Já lá vamos.

Primeiro, o herói e esse tem nome que, não sendo próprio, assenta-lhe bem: Hulk. Num momento de fúria, o brasileiro arrancou um petardo de pé esquerdo, colocadíssimo, e deixou Júlio César de cabelos em pé, indefeso, perante uma bola que tinha destino marcado. A baliza, onde chegou num piscar de olhos. O estádio levantou-se, como é suposto que se levante em qualquer golo, mas não disfarçou um suspiro longo, numa espécie de catarse colectiva a servir de vénia a um momento único.

Ainda que os treinadores detestem que se perca muito tempo com apenas um dos jogadores, é justo prosseguir com Hulk. Quando o lançou, minutos antes, Jesualdo terá pensado apenas na melhor forma de fazer descansar Rodríguez, sujeito ao desgaste de uma viagem louca, mas o brasileiro saiu-lhe melhor do que a encomenda e começou por ameaçar com algumas arrancadas que já fazem parte da imagem de marca, levando tudo à frente. Incluindo Mariano, que teve o azar de colocar o pé onde não devia e, ao fazê-lo, levou com toda a força de um livre marcado por Hulk. É capaz de doer. Doeu mesmo, obrigando Fucile a saltar do banco e a terminar o jogo como extremo improvável.

Agora, o princípio de tudo. Sem Hulk, mas com um Mariano fresquinho, a provar que a ausência na Supertaça é bem capaz de ter sido mesmo importante. Pelo menos, esse regresso permitiu ao FC Porto apresentar-se com as peças no sítio certo. O mesmo é dizer, por exemplo, com Lisandro no meio, onde é um perigo a dobrar. Mas houve mais novidades nas escolhas de Jesualdo: um trinco novo, Raul Meireles, a conferir outra consistência defensiva e ganhar complemento directo num Tomás Costa prático. E eficaz, diga-se. Aliás, foi numa recuperação de bola do argentino, aproveitada por Lisandro para um contra-ataque rápido, que começou o primeiro golo. Lisandro ensaiou-o, mas seria outro argentino, Mariano, a empurrar definitivamente a bola, num desvio acidental depois de um alívio mal calculado de China.

O Belenenses, assente num losango que costuma encravar os portistas, acusou esse golo madrugador, apesar das tentativas para aproveitar inseguranças que o quarteto defensivo do FC Porto ainda não resolveu. As alterações da segunda parte não mudaram muito, apesar de Organista ter obrigado Helton a uma defesa complicada. Mesmo antes da expulsão, houve alguns tiros no pé, em atrasos mal calculados, que precisam de ser corrigidos.

O resto já se sabe. O resto foi Hulk.

FC Porto 2-0 Belenenses


Estádio do Dragão

relvado bom

41.211 espectadores

Árbitro Artur Soares Dias (AF Porto)

Asssitentes Rui Licínio e João Silva

4º árbitro Pedro Maia


FC Porto

Treinador Jesualdo Ferreira

1 Helton GR 6

21 Sapunaru LD 5

3 Pedro Emanuel DC 7

2 Bruno Alves DC 6

5 Benítez LE 5

16 Raul Meireles MD 6

8 Lucho MO 6

20 Tomás Costa MO a 75' 7

11 Mariano AD a 81' 7

10 Rodríguez AE a 66' 5

9 Lisandro AV 6

-

33 Nuno GR

13 Fucile LD d 81' -

14 Rolando DC

18 Bolatti MD

6 Guarín MD d 75' 5

12 Hulk AV d 66' 7

19 Farías AV

Golos

[1-0] 15' Mariano[2-0] 84' Hulkamarelos 59' Bruno Alves; 63' Lisandro


Belenenses

Treinador Casemiro Mior

99 Júlio César GR 6

15 Baiano LD 4

3 Carciano DC 3

4 Matheus DC 4

5 China LE 3

13 Rodrigo Arroz MD a 65' 4

27 Cândido Costa MO 5

11 Zé Pedro MO 5

10 Silas MO 5

17 Marcelo Faria AV a 55' 4

8 Maykon AV a 67' 4

-

1 Assis GR

33 Vanderlei DC

20 Organista MD d 65' 5

18 Mano MD

26 Vinícius MO d 67' 4

9 João Paulo AV d 55' 5

25 Evandro AV

Golos

amarelos 22' Baiano; 56' e 74' Carciano; 85' Cândido Costa

vermelhos 74' Carciano

Lances-chave

FC porto

4' Jogada de insistência conduzida por Lucho, que vê Raul Meireles à entrada da área. Com espaço, Meireles atira forte e erra por pouco.

15' [1-0] Tomás Costa rouba a bola no meio-campo a Rodrigo Arroz e é rápido a solicitar Lisandro, que conduz o contra-ataque até à área. Júlio César defende o primeiro remate, China tenta aliviar mas remata contra Mariano.Golo quase acidental.

29' Marcelo Faria atrasa para Júlio César, mas Lisandro intercepta o lance e ainda remata, mas ao lado.

34' Canto de Tomás Costa para um cabeceamento de Sapunaru. Por cima.

42' Isolado, Lisandro ganha balanço e remata à figura de Júlio César.

43' Mariano tira Cândido Costa da frente e arranca uma bomba. Ao poste.

53' Atraso mal calculado de Mateus para Júlio César apanha Lisandro desprevenido com tamanha asneira. O argentino não conseguiu a emenda.

66' Benítez combina com Rodríguez e surge na cara de Júlio César. O lateral argentino remata contra o guarda-redes e ganha o canto.

71' Mariano ganha um canto que Tomás Costa cobra para a entrada da área, onde surge Lucho a rematar. Muito por cima.

77' Guarín descobre Lisandro na área. O argentino remata prontamente, à figura de Júlio César.

80' Livre de Lucho à figura do guarda-redes.

81' Júlio César sai a soco para aliviar um cruzamento perigoso de Mariano.

87' Remate cruzado de Lucho, e de primeira, após solicitação de Benítez. Assustou Júlio César.

Belenenses

1' Silas e José Pedro desenham o primeiro ataque e descobrem Marcelo Faria na área. Sem oposição na área, cabeceia para fora.

21' Avanço do Belenenses pelo meio e, de longe, Cândido Costa arrisca o remate. Forte, mas ligeiramente ao lado.

60' Rodrigo Arroz desce ao ataque, investindo tudo pelo lado direito. De ângulo apertado, tenta o remate, mas erra na pontaria. E muito.

68' Maykon ganha na velocidade a Tomás Costa, sobe pelo flanco esquerdo e ainda ganha o canto. Silas marca-o para a cabeça de João Paulo, valendo a atenção de Benítez a cortar.

78' Livre combinado entre José Pedro e Organista, a bola desvia em Raul Meireles e obriga Helton a aplicar-se, desviando para canto.

O FC Porto um a um

Mariano reequilibrou a equipa

PEDRO MARQUES COSTA

Helton 6

Teve uma primeira parte tranquila, sem trabalho, mas mesmo assim fez um passe disparatado para Benítez, que o argentino tratou de resolver. Depois, no segundo tempo, defendeu com estilo o único remate digno desse nome do Belenenses: o desvio que a bola sofreu em Raul Meireles serviu para abrilhantar o momento.

Sapunaru 5

Deu uma resposta segura depois do jogo infeliz que realizou frente ao Sporting. Aproveitou os primeiros minutos para ganhar confiança, mas só na segunda parte se aventurou com maior regularidade nas acções ofensivas. Apesar disso, foi no primeiro tempo que teve uma oportunidade de marcar, mas o árbitro auxiliar fez questão de lhe roubar o protagonismo.

Pedro Emanuel 7

Um caso em que a simplicidade pode significar brilhantismo. Pois é: usou da sua experiência e tranquilidade para resolver alguns lances que pareciam complicados. Foi eficaz, chegou a roçar a perfeição, e esteve sempre muito interventivo.

Bruno Alves 6

Realizou uma exibição regular, mas longe do esplendor evidenciado por Pedro Emanuel. Esteve, porém, sempre atento e concentrado, mas devia ter evitado um cartão amarelo ridículo: rematou a bola quando o jogo se encontrava parado.

Benítez 5

Teve momentos positivos - quase marcou; salvou o golo do Belenenses em cima da linha; tirou um cruzamento perfeito para um remate portentoso de Lucho -, mas revelou insegurança em muitos outros, não só a defender, mas também ao nível do passe. Oscilações que, num dia menos feliz, podem ser fatais.

Raul Meireles 6

Recuou no terreno e ofereceu maior consistência ao meio-campo. Formou, juntamente com Tomás Costa, uma excelente dupla no momento de recuperar a bola, e acrescentou-lhe ainda a qualidade que se lhe reconhece na altura de fazer jogar a equipa.

Tomás Costa 7

Foi a grande novidade no onze e uma aposta ganha. Trouxe agressividade, simplicidade e bom futebol ao meio-campo portista. Para amostra, há o primeiro golo: recuperou a bola no meio-campo adversário - uma cena repetida várias vezes durante o jogo - e ofereceu-a a Lisandro.

Lucho 6

Não consegue jogar mal, mesmo quando não é um dos melhores da equipa - como foi o caso de ontem. Apesar disso, marcou o ritmo do jogo da equipa e esteve perto de fazer um golão (87'): o remate à meia volta tirou tinta ao poste, mas fugiu da baliza.

Mariano 7

Falhou o jogo com o Sporting e desequilibrou a equipa, afastando Lisandro do centro do terreno. Regressou ontem, a equipa recompôs-se, e mostrou que está disposto a realizar uma grande temporada. Marcou o primeiro golo, naquele que é um dos seus principais atributos - nunca desistir - e assinou o melhor lance da primeira parte: deixou os adversários para trás e rematou ao poste.

Rodríguez 5

Esteve longe da bola e do protagonismo durante a maior parte dos 66 minutos que esteve em campo e foi o "internacional" que mais acusou o desgaste provocado pelos jogos das selecções.

Lisandro 6

Não foi por falta de tentativas que ficou em branco. Lutou e trabalhou como de costume, mas só lhe faltou uma pontinha de eficácia na hora de finalizar. Está em forma.

Guarín 5

Entrou para os últimos 20 minutos do jogo e ajudou a empurrar a equipa para o segundo golo.

Fucile -

Reforçou o lado direito do ataque, porque não havia mais alternativas no banco.

A ESTRELA: Hulk (7)

Minuto 84: que golo! Hulk pegou na bola na zona central e acarinhou-a com o pé esquerdo antes de bombardear a baliza de Júlio César. Um momento mágico, o primeiro da época no Estádio do Dragão, teve a assinatura de um jogador que chegou ao FC Porto para explodir no futebol europeu. Ontem, entrou aos 66', no pior período colectivo da equipa, mas não precisou de muito tempo para mostrar as suas qualidades. Começou com um livre, tão potente que lesionou Mariano. Depois, continuou com os bons pormenores sobre o lado esquerdo, até que, teve a oportunidade de brilhar intensamente. E aquele remate, que entrou no ângulo superior direito da baliza do Belenenses, saiu com a violência de um super-herói - 95 quilómetros por hora -, mas serviu, sobretudo, para arrancar uma vitória que parecia difícil de confirmar.

O Tribunal de O JOGO

Fora-de-jogo inexistente e cartão perdoado a Matheus

Com excepção do especialista Soares Dias, que dá ao árbiro-assistente o benefício da dúvida que só quem viu pela televisão e com a linha verde invisível não tem, o fora-de-jogo assinalado a Sapunaru, aos 38', foi um erro de palmatória do "bandeirinha". Este juiz do Tribunal de O JOGO é também o único a perdoar a não amostragem de amarelo a Matheus por entrada de sola sobre Lucho González. Os outros juízes apontam este como outro pecado de Artur Soares Dias.

Momento mais complicado

38'

Fora-de -jogo tirado a Sapunaru que ficava em condições de marcar foi bem assinalado?

Jorge Coroado

-

Não havia qualquer irregularidade no desenvolvimento do ataque da equipa da casa, pelo que foi inoportuna a intervenção do árbitro-assistente que acompanhava o ataque do FC Porto.

Rosa Santos

-

Não. Tenho que salvaguardar que o assistente é que foi culpado e é a segunda em dois jogos consecutivos, depois do jogo do Sporting agora no FC Porto. Ou o assistente tem que ir à "Multiópticas" ou tem que passar por um curso de reciclagem.

Soares Dias

+

No campo, o mais provável é que tenha dado a impressão de fora-de-jogo porque mesmo pela TV, só com o auxílio da linha verde (invisível no terreno) é que se consegue perceber o adiantamento. Por isso, considero que nas condições de campo o assistente julgou bem.

António Rola

-

Perante o observado, o jogador do FC Porto estava claramente atrás dos defesas belenenses e por isso é um erro de paralaxe do assistente, demonstrando muita falta de atenção relativamente ao lance.

Outros casos

9'

Lisandro López está mesmo fora-de-jogo?

19'

Justifica-se o cartão amarelo a Baiano por falta sobre Cristian Rodríguez?

72'

Carciano vê segundo amarelo por falta sobre Lisandro. Justifica-se a decisão?

78'

Matheus atinge o tornozelo de Lucho González e não vê amarelo. Devia?

Jorge Coroado

+

Lisandro estava adiantado em relação ao penúltimo defensor e a colocação da linha na TV confirma isso mesmo. Acertada a decisão.

+

Rodríguez já tinha sido castigado várias vezes pelo extremo reduto belenense. Baiano era reincidente no jogo faltoso sobre o portista. Cartão perfeitamente justificado.

+

Foi correcta a intervenção no capítulo disciplinar e técnico, já que o jogador do Belenenses impediu um ataque prometedor derrubando o adversário.

-

Matheus quis atacar a bola mas atingiu Lucho com a sola, falta que pode considerar-se violenta e punível com vermelho.

+

Cândido Costa fez a falta já depois do portista ter sofrido intervenção faltosa e o amarelo é correctamente exibido.

Rosa Santos

+

É fora-de-jogo. bem decidido pela equipa de arbitragem.

+

Foi bem mostrado, pois! O Baiano agarrou na camisola e assim só pode ser cartão amarelo.

+

O cartão amarelo é bem mostrado porque o jogador não estava enqua-drado. Como era o segundo, claro que só pode ser expulso.

-

Para mim é o único erro do árbitro, porque se trata de entrada perigosa, passível de amarelo. Faltou coragem ao árbitro.

+

Já não era sem tempo esse amarelo. O Cândido Costa deve ter feito só à conta dele 8 ou 9 faltas.

Soares Dias

+

O fora-de-jogo é bem marcado porque o Lisandro está adiantado no momento do passe. Perspectiva correcta do assistente.

+

Trata-se de uma situação de infracção persistente às leis do jogo e assim o jogador tem que ser admoestado com cartão amarelo.

+

Justifica-se o amarelo. Já tinha um e trata-se de persistência no jogo faltoso.

+

Está bem decidido só assinalar a falta. O lance não é perigoso e o Matheus ataca a bola. Não conseguiu, não houve intenção.

+

Enquadra-se na política do árbitro. Justifica-se o amarelo e se tivessem saído mais alguns cartões não deslustrava.

António Rola

+

No momento do passe, o portista estava adiantado em relação ao penúltimo defensor do Belenenses. Bem o árbitro assistente ao indicar o fora-de-jogo.

+

Baiano agarrou o adversário e porque estava a infringir com persistência as leis do jogo o árbitro deu-lhe essa indicação e mostrou o amarelo.

+

Com o braço esquerdo, Carciano impede Lisandro de prosseguir a jogada. Esteve bem o árbitro ao punir o lance com cartão amarelo. Era o segundo e seguiu-se a expulsão.

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O jogador do Belenenses teve entrada sobre o adversário que merecia por parte do árbitro a exibição do cartão amarelo. Sendo assim, o árbitro não teve o melhor julgamento.

+

Lisandro sofre falta merecedora de ser sancionada com cartão amarelo. Decisão correcta do árbitro ao fazê-lo.

Transcrição de http://www.ojogo.pt/24-186/artigo742413.asp

1-0 Mariano Gonzalez 15'


2-0 Hulk 83'